Quer ser artista? Então aguenta!


Quando ouvi o despertador tocar as 6h da manhã desejei do fundo da alma transformar-me num bicho preguiça e, por um momento, visualizei-me no topo da árvore tranquila e calma curtindo a leve brisa alisar meu rosto. Meu cachorro fez o favor de puxar-me para a realidade e, com uma lambida no rosto, dei um pulo da cama e em 30 minutos já estava quase tudo pronto para mais um domingo de feira.

Bicho preguiça

Meu sonho

Com uma gripe que teimava em não ir embora fui para a feira com a mesma vontade que uma criança tem em comer salada. Definitivamente hoje não era um dia bom para ser artista plástica.

emburrada

Hoje não quero ser atista plástica.
Unf!

Chegando na feira, montei a barraca e aguardei a chegada dos clientes. No fundo, no fundo, não queria que ninguém conversasse comigo. Minha dor de cabeça aumentava à medida que o tempo passava. É incrível como os clientes sentem o nosso estado de espírito… Se eu distribuí 5 cartões naquela manhã foi muito, pois quase ninguém se aproximou da minha barraca. Muitos olhavam de longe e de lá mesmo ouvia os elogios e uma demonstração de interesse em meu trabalho.

Com os olhos inchados, o nariz vermelho e espirando de cinco em cinco minutos, não tinha como não espantar os clientes. Ninguém queria começar a semana com uma gripe que pegou num passeio de domingo.

gripe

Fugindo da gripe

Como ninguém se aproximava da minha barraca, pela primeira vez, resolvi dar uma volta na feira e conhecê-la melhor. Até então só a conhecia como turista, mas desde que comecei a trabalhar lá nunca tinha tido oportunidade de sair da minha barraca e dar uma volta tranquila na feira.

Nesse passeio conheci o simpático vendedor de roupas feitas com algodão cru. Lindas peças artesanais, pintadas à mão e com excelentes preços. Ainda bem que havia esquecido meu dinheiro, caso contrário teria gasto tudo nesse rápido passeio que fiz.

Outra simpática feirante que conheci foi a dona Maria, costureira de mão cheia. Seus lindos vestidos lembraram minhas antigas férias em que passava com a família em Maragogi (praia do litoral norte do estado de Alagoas). Seus vestidos tinham um tecido leve, naturalmente amassados e alguns tinham detalhes em renda. Quis comprar um, mas infelizmente (ou felizmente) havia esquecido minha carteira. Deus sabe o que faz….

Enquanto conversava com dona Maria senti alguns pingos de chuva. Em Manaus pingos de chuva é o mesmo que uma tempestade em qualquer lugar do Brasil. Rapidamente despedi-me de dona Maria e com passos rápidos voltei em direção a minha barraca. No meio do caminho as passadas transformaram-se em uma corrida de 100 metros. A chuva já tomava conta de toda a feira e eu já estava completamente molhada. Corri o máximo que pude e quando cheguei na minha barraca, em cinco minutos, recolhi todos os quadros e os protegi.

Esse chuva será rápida, pensei!

RAIOS E TROVÕES!!!!!

Domingo de feira

Vento e chuva

Domingo de feira

Vento e chuva, muita chuva!

Enquanto me protegia na minha frágil barraca de uma tempestade no meio da floresta tropícal, avistei alguns vendedores vendendo guarda-chuva. De onde aqueles vendedores saíram é uma pergunta ainda sem resposta até hoje. Por um momento visualizei aqueles vendedores saindo de dentro da terra, como se fossem sementes que brotaram com a chuva. Alguns raios começaram a rasgar o céu e tive a sensação de que algum vendedor iria cair do céu vendendo pára-raios.

vendedor de pára raio

Vende-se pára raio!

Domingo de feira

Protegendo da chuva

Domingo de feira

Com frio e dor de cabeça

A chuva não parou, o sol não apareceu e comecei a lembrar do momento antes de me acordar. Aquele momento em que eu era um bicho preguiça e que a minha única preocupação era comer folhas de eucalípto e esconder-me na melhor sombra do topo da árvore. Ai… aquela brisa…..

bicho preguiça

Lembrando do sonho

Mas eu não era um bicho preguiça e não estava protegida da chuva embaixo dos meus lençóis quentidos e fofinhos. Estava doente, com dor de cabeça e levando chuva na feira. Elêlê… a única coisa que me restava era tirar fotos e rir da minha desgraça. Naquele momento descobri sobre o que escreveria no blog.

Pois é gente, aí vocês me dizem: Quer ser atista, então aguenta!

Aí eu respondo: “Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.”

romântica

Como sou romântica aiaiaiai….