1º dia de viagem: Trelando no Aeroporto Internacional de Brasília (5:30h)


A viagem começou e, para quem mora em Manaus, sair desta cidade já é, por si só, uma batalha. Escalas, conexões e muitas e muitas paradas antecedem o destino final. Conhecer o Brasil, ou pelo menos uma parte dele, no método “pinga pinga”, é o objetivo das companhias aéreas para com seus passageiros manauaras.

Primeira escala, Brasília, ou melhor, conexão! Serão 4 longas horas de espera. O suficiente para preencher várias páginas em branco do meu diário de bordo e assistir a um filminho pelo celular. Pois é, agora sou uma garota antenada com as novas tecnologias. Para quem ainda escuta vitrola e envia cartas pelos correios já é um grande avanço qualquer intimidade com os novos aplicativos do celular.

Ainda lembro da primeira vez que vim para Brasília. Foram apenas 4 dias de estadia, mas o suficiente para me encantar com a beleza misteriosa desse lugar. Lembro das belas árvores, da terra avermelhada, mas principalmente, lembro de como o céu de Brasília é hipnotizante. Ao olhar para esse infinito tive a estranha sensação de que ele era maior, mais nítido, mais azul, mais brilhante e tudo mais do que qualquer outro céu que já vi. Não cansava de admirá-lo…

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Agora estou eu aqui novamente, não a passeio… apenas uma parada obrigatória. Mas como é bom rever o céu mais lindo do Brasil. Melhor ainda ser presenteada com o nascer do sol numa cidade que de tão encantada atrai místicos e curiosos do mundo inteiro.

A parada será longa, tempo suficiente para observar pessoas e tentar desvendar os seus mistérios. Sim, eu tenho esse estranho hobby de inventar estórias sobre pessoas alheias. Qualquer um pode ser a próxima vítima a entrar no mundo imaginário de uma artista contadora de estórias.

Assim que desembarquei e entrei no salão do aeroporto, fui em busca de um local mais confortável para passar minhas longas horas de espera. A escolha foi em vão, já que todas as cadeiras são as mesmas e o conforto não é um item que se priorize nos projetos dos aeroportos. Fui andando, andando e, ops! logo avistei a vítima que iria fazer parte do meu mundo imaginário. Ele chamou a minha atenção e, por alguns segundos, prendeu o meu olhar. Esses longos segundos entre a luta de querer olhar e a educação em ser discreta fizeram desse curto período um tormento para uma geminiana curiosa por natureza e pelo zodíaco.

Sim, olhei e fixei o olhar. Fiz uma análise detalhada da minha vítima. Ele estava sentado em sua cadeira, vestia calça preta e blusa listrada preta e branca. Seu modelito fazia uma composição perfeita com o seu cabelo. Sim, o cabelo! O motivo, a razão da minha curiosidade para aquele estranho ser.

Por um breve instante lembrei da minha adolescência, período áureo de um estranho produto que as mulheres utilizavam no cabelo para deixá-los pretos e lisos. Infelizmente todo esse esticado tinha um preço. Os fios ficavam com um estranho aspecto e textura de cabelo de boneca.

Colagens6

Com os avanços tecnológicos dos produtos químicos para cabelos, acredito que ele, minha vítima, vamos chamá-lo aqui de Vandinho, não use o tal HENÊ (esse era o nome do produto). O fato é que a estranha textura do cabelo dele foi acentuada com tudo o que está em volta dos seus longos fios negros, lisos e abonecados. Sua pele alva e com um leve tom amarelado destacou ainda mais o preto do cabelo. Para piorar a situação, O formato  em “cunha” do corte do seu longo hair deu todo um ar “Família Addams” à sua aparência.

Capturas de tela

Ops, ele olhou para mim! Será que tem poderes paranormais e sentiu que o estou observando? Será que sabe que estou escrevendo sobre ele nesse exato minuto? Com essa aparência e numa cidade mística, quem sabe ele não seria um Guru do Henê ou um sensitivo…

Acho melhor finalizar por aqui e parar com minha estranha mania de estoriar a vida alheia, pois, na pior das hipóteses, ele pode ser um concurseiro que vai encarar uma longa batalha de provas esse final de semana. Sim, por que não? Brasília, além de ser uma cidade mística, também é uma terra de concursos públicos.

Tudo bem… de guru sensitivo à concurseiro lutador foi um salto muito grande, mas no mundo imáginário de uma artista curiosa e metida a escrever tudo pode acontecer. O Guru olhou para mim de novo, fui!!!

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