Retrospectiva 2013 – Um ano de muitas voltas


Hoje terminei o livro, finalmente. Em meio as viagens, encontros e reencontros, sempre dava uma pausa para ler os maravilhosos relatos das aventuras da minha querida amiga Paula Quintão. De tão interessante que ela via a sua vida e a sua maravilhosa experiência no Monte Roraima, teve a brilhante ideia de escrever um livro e espalhar para o mundo os seus pensamentos e uma bela visão da vida e dos aprendizados que dela extraímos.

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Fotografia retirada do blog Psicologando

Faltam alguns dias para terminar o ano de 2013, precisamente dois dias, e aqui estou eu, sentada nesse banquinho, segurando um livro que mexeu profundamente com meu estado de espírito e de frente para um dos locais onde tive um dos dias mais felizes da minha vida.

Em 2010 casei, resolvi fazer uma festa simples, chamar os amigos e familiares mais queridos. Queria comemorar minha nova fase da vida. Tive a sorte de morar num condomínio lindo e que tinha espaço suficiente para fazer uma bela festa de casamento. Casei-me aqui. vestia um maravilhoso vestido de seda pura, cuja cor combinava perfeitamente com o dia lindo e florido que fez. O tom champanhe dava todo um ar romântico àquela ocasião. Foi durante o dia que selei meus votos eternos e resolvi escrever uma história para toda a vida.

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Aqui, sentada nesse banquinho, de frente para o local em que comemorei os meus votos eternos, ainda envolvida e emocionada com a última página do livro que acabei de ler, fecho os olhos e faço uma retrospectiva do ano de 2013. Uma vida em apenas um ano. Quanta coisa aconteceu… quantas experiências, quanto aprendizado, quantas perdas e quantas conquistas obtive. Sofri mais do que fui feliz, mas estou colhendo os frutos de tantas experiências fortes e marcantes que me envolveram em tão pouco tempo.

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Comecei o ano grávida e terminei o ano grávida. Essa frase veio em minha mente assim que iniciei a minha retrospectiva. Uma risada não poderia faltar nesse momento. Ri sozinha. Um riso irônico que não pude esconder de mim mesma.

A perda de um bebê aos 2 meses de gestação foi, sem dúvida, o fato mais marcante da minha vida. O ano de 2013 não começou bem para mim. A notícia foi dada quando não conseguiram escutar as batidas de um pequeno coração. Tão pequeno ainda, mas com tanto significado… Ali, deitada na cama do consultório, ainda tinha esperanças de ouvir um “tum” “tum” “tum”. Foi em vão… Nada. Nada se ouvia, além do soluço não contido de uma mãe que chorava o término de uma esperança.

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Lembro de chegar em casa ainda cedo do hospital, uma manhã de céu azul cintilava lá fora. Estranhamente observei isso. Por que estava achando o dia lindo?  Por que observei isso? Para uma notícia boa o cenário estaria ideal, mas para uma notícia ruim… uma contradição infeliz. Chorei até dormir. Acordei e já estava tudo escuro. Por um momento pensei ter tido um pesadelo e um alívio enorme percorreu todo o meu corpo. Mas esse alívio durou pouco e logo percebi que a realidade era outra. Voltei a dormir com a esperança de nunca mais acordar.

Que triste notícia para um começo de ano.

Um enorme aprendizado cresceu dentro de mim. Cresci com aquela perda e estranhamente me senti mais forte e madura. A separação aconteceu alguns meses depois. Uma separação estranha e sem sentido aos olhos curiosos. Um casamento perfeito e cheio de vida não poderia terminar de uma hora para outra. “Marcela, pensa bem, seu casamento é perfeito!” Foram tantos os conselhos que escutei…  Eu apenas estava saindo de cena.

Continuo aqui, sentada no banquinho, olhando para o local que selei meus votos eternos. Tudo estava lindo naquele dia do meu casamento. Dancei até a música acabar, não queria que aquele dia terminasse nunca. Eternizei em minha memória lembranças de um dia perfeito. As flores do campo coloriam todo o ambiente, meu sorriso contagiava a todos e a felicidade estava nitidamente presente na festa.

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Em meio a tanta turbulência de uma separação inesperada, uma linda conquista encheu meu coração de felicidade e esperança. Uma exposição de arte realizada num dos melhores locais da cidade me deixou cheia de orgulho. A criação foi o meu refúgio. Pintava e desenhava freneticamente. A arte me deu o equilíbrio que precisava naquele momento. O cheiro da tinta, a criatividade que percorria minha mente e os papéis em branco foram os meus maiores companheiros. Foi na arte que consegui expressar toda a minha revolta, força, paixão e esperança que me envolviam.

Alguns quadros que pintei em 2013

Alguns quadros que pintei em 2013

O “Universo Feminino” foi o tema da minha exposição, que rendeu bons frutos, dentre eles uma entrevista para a TV Globo e outras para jornais locais. Que conquista boa! Nunca esquecerei daqueles momentos de introspecção e isolamento em que me mantive enquanto criava os quadros. Um momento só meu, com a minha companhia, com os meus pensamentos, com os meus medos, minhas angústias, meus sonhos e minha visão de mundo. Era tudo meu e só meu. Nunca estive tão próxima de mim mesma quanto naquela época. Gostei de estar comigo, mas percebi que ainda faltava muito para alcançar os meus objetivos.

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(Confira AQUI a entrevista que dei para a TV GLOBO )

O vento sopra aqui fora, o cheiro de jasmim o acompanha e traz lembranças boas… Continuo segurando o livro que acabo de ler. Que pena que acabou… lembro de um pequeno trecho que traduz o significado da palavra “Coragem”. Ela vem da raiz latina cor, que significa “coração”. Portanto, ser corajoso significa viver com o coração O caminho do coração é o caminho da coragem. É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É deixar o passado para trás e deixar o futuro ser. Não é lindo isso!?

Após ler esse pequeno trecho do livro, finalmente me senti a vontade para dizer que sou uma mulher corajosa. Sentir a vida e fazer dela a melhor das aventuras é seguir o coração. Mas seguir o coração nem sempre nos deixa confortáveis. As incertezas dão medo e, muitas vezes, nos fazem retroceder de decisões importantes. Coragem é seguir em frente com a certeza de que o que sentimos é a melhor resposta.

O ano termina e uma incrível sensação de satisfação percorre a minha alma. Gratidão é a melhor palavra para definir o quanto fui presenteada com um enorme aprendizado que obtive em tão pouco tempo.  Com tanta transformação não poderia deixar de agradecer baixinho ao papai do céu. Aqui estou eu, no banquinho, segurando um livro e com milhões de lembranças de um ano que termina. Lembranças boas, lembranças ruins, mas todas elas me levaram para um único caminho. O caminhar para um degrau mais alto. Uma evolução que se dá lentamente, mas que deve sempre acontecer. E assim a vida vai se fazendo, lentamente evoluindo e seguindo com a coragem. Mas agora com uma grande diferença… nunca mais estarei sozinha. Seguirei feliz no novo caminho da maternidade. Feliz por ser mãe novamente! Feliz por viver um novo amor! Feliz por construir uma nova família!

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Levanto-me do banquinho e sinto o meu corpo mais pesado. O peso de uma vida que cresce rapidamente dentro de mim. O peso mais leve e suave que já senti. E como é bom sentí-lo cada dia mais pesado.

Feliz ano novo!

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