O universo de uma artista grávida


36 semanas…. Há 8 meses lá estava eu, acordada às 4h da manhã, sentada no banheiro, esperando a chegada do meu primeiro xixi do dia. Uma situação nada romântica para receber a notícia que mudaria por completo a minha vida.  A ansiedade dava lugar a certeza que eu já tinha.

Dois tracinhos. Um… deixa eu ver de novo… dois tracinhos é grávida, não é? sim, a bula não mente.  Levanto-me e, por curiosidade, vou em direção ao espelho. Olho bem para o meu rosto, numa tentativa infantil de enxergar algo de diferente em mim.  Tava tudo no lugar, nada diferente. Poderia não estar grávida. Vou confirmar com o exame de sangue, pensei!

Parabéns, você está grávida! Aquela notícia, pronunciada pelo médico, sem ao menos eu ter me preparado, finalmente fez com que a minha ficha caísse. Ou não… ainda tinha uma esperança. A ultrassonografia. Ela sim, tiraria todas as minhas dúvidas.

Aquela certeza que me perseguia, antes mesmo de fazer o simples exame de urina, estava sendo negada constantemente por uma nova mãe que não planejou a gravidez. Nada planejado, nada programado… Nossa, que loucura! E agora? E agora?

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Foto de Zamith Filho, com 3 meses de gravidez, as margens do Rio Negro em Manaus.

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Foto de Zamith Filho,aos 4 meses de gravidez, nas cachoeiras de Presidente Figueiredo.

Recém separada, morando sozinha, numa cidade longe de toda a minha família, com vários planos de “recomeço de vida”. Estava super entusiasmada com meus projetos e, claro, disfarçando o medo desse recomeço. Mas uma gravidez mudaria tudo por completo.

Aos poucos tudo foi se ajustando. Passar dois meses em Recife, junto á família, renovou as minhas energias e trouxe de volta a força e esperança que eu precisava. Várias etapas precisavam ser trabalhadas antes de eu ter o meu filho nos braços. Aceitar uma separação tumultuada, com todas as suas falhas e desgastes. Sofrer, me despedir, deixar o passado de lado e, finalmente, perdoar. Aceitar uma gravidez que chegou sem pedir licença, avassaladora e inesperada. Aceitar e me permitir ser mãe, sentir, com todo o  mistério, esse amor que crescia dentro de mim, cada vez mais rápido. Finalmente,  ter que decidir o novo rumo da minha vida. Voltaria para Manaus e viveria com o meu novo amor, construindo uma nova família, ou ficaria em Recife junto a minha família, na segurança que sempre me confortou?

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Muitos ajustes e decisões importantes fizeram parte dessas minhas “férias forçadas”. Chorei, sofri, me despedi, rezei, meditei, conversei, desabafei, perguntei, chorei mais um pouquinho e lancei ao o universo todas as minhas dúvidas e questionamentos. Pedi respostas. Aguardei. voltei para Manaus sem as respostas que queria. Nada concreto, nenhuma luz no fim do túnel. Apenas uma sensação de que deveria voltar. Escutei o meu coração e confiei nele para traçar a minha nova vida. Manaus pedia o meu retorno.

A cidade das comidas exóticas, do povo acolhedor e da esperança novamente me recebeu de braços abertos. Com os olhos cheios de saudades lá estava ele a minha espera, na saída do portão de desembarque. Um abraço apertado e uma conferida no barrigão de quase 7 meses fizeram parte do nosso reencontro. Estávamos juntos novamente. Cheios de esperanças e sentimentos renovados. Era a hora de nos ajustarmos às mudanças.

Quartinho do bebê, roupinhas, enfeites, acessórios, chá de bebê, plano de parto…. calma, calma, clama… Por um momento me vi cheia de preocupações e correndo contra o tempo para deixar tudo pronto para a chegada do nosso filho. Mas será que um bebê precisa de todas essas coisas ou isso faz parte dos meus desejos vaidosos e um tanto desnecessários?

Com a cabeça no lugar e a vaidade de lado comecei a refletir sobre as necessidades de um bebê. O que ele realmente precisa? O que eu preciso? O que a minha casa precisa ter para receber um bebê? Percebi que muitas das necessidades que eu estava impondo eram, na verdade, fruto de uma tradição que acompanha os novos papais e mamães de primeira viagem. Tentar enxergar além dos costumes é um pouco difícil quando tudo o que está em nossa volta nos faz repetir os mesmos padrões.

Então vamos lá! Vou querer o meu bebezinho dormindo sozinho num quarto nos primeiros meses de vida dele? Não! Então por que tô tão preocupada em reformar um quarto, se nem ao menos ele irá usá-lo? É realmente necessário fazer um chá de bebê? Verdade seja dita, ganhamos muitos presentes fazendo um chá de bebê, mas quando estava em Recife fiz uma pequena reunião com a família e alguns amigos mais chegados e ganhei muitos presentinhos para o bebê. Muitos acessórios também foram descartados, pois não via a real necessidade em obtê-los. Passar a enxergar esse momento sob o ângulo e perspectiva do bebê ajudou-me a sentir a verdadeira necessidade dele e não apenas a minha. Deixar a vaidade e os meus caprichos de lado também me ajudou a relaxar e sentir esse momento de uma forma mais plena e saudável.

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Móvel que projetei para ficar no nosso quarto. Trocador + penteadeira. Como é um móvel que será utilizado por pouco tempo, inventei algo que possa ser reaproveitado no futuro.

 

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Esses foram os únicos dois móveis que fizemos para o bebezinho. Reparem que tudo está dentro do nosso quarto. Futuramente faremos o quartinho dele. Tudo muito simples e voltado para o universo da criança.

Berço? Jamais! Vai ter uma caminha ou um colchãozinho no chão.

O projeto desse quartinho? Sim, já tenho. Caso queiram mais detalhes dele é só clicar aqui e terão tudo muito bem explicadinho.

 

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Eu que fiz! 🙂

 

A medida que o tempo passa a ansiedade vai aumentando. Os medos rondam a mente… A incerteza de quando ele irá nascer transporta a futura mamãe para um mundo só dela. Sinto-me cada vez mais introspectiva, com vontade de me resguardar num ninho imaginário… Um cantinho só meu, e lá aguardar o grande momento. O momento da minha transformação. O dia em que irei dar adeus a antiga Marcela e passarei a ser mãe, fundida a outro ser para o resto da minha vida.

Cada dia que passa vou ficando para trás, uma despedida lenta e triste vai acontecendo. Nunca mais serei só eu… Um misto de sentimentos contraditórios percorrem a minha mente. Recorro ás artes para tentar entender a minha transformação. Pinto e crio sem parar. A sensação é que as tintas vão acabar e preciso pintar o tempo todo. Os desenhos falam sempre do amor. O amor que está em mim e que cresce cada dia mais. É isso que sinto. Um grande amor…

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O dia se aproxima e a vontade de deixar a casa arrumada e linda para a chegada do meu novo amor aumenta. Espalho plaquinhas com mensagens positivas, deixo músicas tocando enquanto saio de casa para fazer compras, penduro novos quadros para alegrar o ambiente e assim vou transformando o astral da casa. Tudo para ele e para essa linda mudança que acontecerá em nossas vidas.

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Estar grávida é uma linda transformação que acontece na vida de toda mulher. Planejada ou não essa transformação acontece de forma positiva se passarmos a senti-la como um enorme aprendizado que a vida nos dá. Só com amor há transformação e é por isso que estamos aqui, nesse mundo lindo, cheio de coisas a nos ensinar.

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12 comentários sobre “O universo de uma artista grávida

  1. Poxa amiga você definiu com tanto cuidado e carinho que gostaria de continuar lendo…você é essa mulher forte e frágil ao mesmo tempo, linda sempre, não somente por fora. Admiro você. bjs

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