Um Parto Estuprado


Olá, a história que vocês irão ler abaixo é apenas um desabafo de uma mãe que, por um tempo, sentiu-se envergonhada em compartilhar um momento tão íntimo… mas não só envergonhada, culpada também! Sim, é assim que o nosso sistema de saúde deixa centenas de mulheres todos os dias. Envergonhadas, culpadas, fragilizadas, com uma estranha sensação de que algo está errado. E assim ficamos durante anos, caladas e remoendo uma dor solitária. 

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Faz exatamente 3 meses desde que tudo aconteceu… esse foi o prazo que dei a mim mesma para poder falar sobre o assunto. Precisava desse tempo para poder cuidar do meu filho com tranquilidade e paz. Precisava curar a minha alma, ajustar os pensamentos e focar todas as minhas forças em meu filho. Mas eu não quero apenas falar. Também quero agir! Buscar a justiça e espalhar para o mundo o que vem acontecendo com milhares de mulheres todos os dias. Começar a escrever esse relato será muito difícil, não sei se conseguirei em apenas um dia, mas preciso expor essa triste história para poder trabalhar esses sentimentos dentro de mim.

Com 39 semanas de gravidez tudo já estava pronto para o dia da chegada de Lorenzo. Banheira para o parto, malas prontas para o caso de alguma emergência e termos que acionar o plano B, que seria o hospital; comidinhas especiais na geladeira para eu me alimentar durante o trabalho de parto. Enfim, a casa estava preparada para um parto domiciliar planejado.

Era madrugada do dia 6 de maio quando comecei a sentir algumas coisas estranhas. Minha DPP  era para o dia 12 de maio, mas os sintomas davam a entender que Lorenzo não iria esperar muito para chegar. Acordava constantemente para ir ao banheiro e, por um momento achei que estivesse comido algo estragado. Até então não sentia contrações fortes e nem passava pela cabeça que eu estava entrando em trabalho de parto. Mas as 5:00h da manhã o famoso tampão finalmente resolveu aparecer. A partir desse momento as contrações começaram. Que felicidade senti. Finalmente iria conhecer meu filho! Estava tranquila, pois sabia que um trabalho de parto dura horas e, as vezes, dias.

Minha primeira reação foi enviar uma mensagem para a minha doula avisando o ocorrido. Logo depois acordei meu marido, que pulou da cama e  foi encher a banheira que estava na sala. Nos abraçamos e sorrimos que nem bobos, estávamos ansiosos para a chegada do nosso filho. Minha mãe, que estava dormindo, acordou com o barulho que fazíamos. Acendeu alguns incensos e preocupava-se com as músicas que iria colocar durante o parto.  Todos estavam se  preparando para a chegada de Lorenzo.

Ainda cheguei a dizer ao meu marido:

– Não precisa encher a banheira agora, vai demorar para as contrações aumentarem!

Mas ele não me escutava e enchia a banheira freneticamente. As 5:40h resolvi tomar um banho e me preparar para a chegada da minha doula e da equipe que viria depois. Havia contratado dois enfermeiros para acompanhar o parto. Mas as contrações aumentavam com uma velocidade enorme. Comecei a achar que o mantra que eu fazia todos os dias, para ter um parto rápido e tranquilo, iria se concretizar. Resumindo: não consegui tomar banho e nem marcar o tempo das contrações. As dores já estavam insuportáveis e a única coisa que eu queria era meu marido massageando a minha barriga sem parar.

Por volta das 6:40h minha doula chegou e logo viu que o meu trabalho de parto já estava bastante avançado. Uma contração atrás da outra, dores intensas. Onde está a equipe, pensei!  Por que não chegaram ainda? Todos estavam empenhados em entrar em contato com os enfermeiros. Minha mãe, meu marido e a doula tentando falar com eles e nada. Nenhum celular atendia. Nessa hora eu já não ouvia quase nada, estava entrando num mundo paralelo das dores do parto. Lá no fundo, como um eco, eu escutava minha mãe dizer:

– Que irresponsabilidade, no dia mais importante eles não atendem o celular!!!!

Não queria me estressar e mergulhei fundo nesse mundo que chamam de “Partolândia”. Infelizmente essa minha viagem foi interrompida, sabiamente, pela minha doula, que com uma voz doce e triste disse:

-Marcela, precisamos monitorar esse bebê. Seu trabalho de parto está muito avançado e temos que escutá-lo. Infelizmente não conseguimos entrar em contato com os enfermeiros. Sugiro irmos para um hospital para fazermos a escuta. Depois voltamos para casa.

Essa era a ideia, voltar para casa logo depois…

Fomos para o INSTITUTO DA MULHER, hospital que diz ser referência em parto humanizado em Manaus. Durante a gravidez fui fazer uma visita nesse hospital para saber como eram realizados os parnos normais lá. Recebi uma aula de humanização, até mostraram uma sala especial para os partos humanizados. Era uma sala reservada, com banheiro e alguns equipamentos. Fiquei mais tranquila quando soube disso tudo e, apesar de ter plano de saúde, achei que aquele hospital público estava bastante avançado no que diz respeito a humanização do parto. Por isso resolvi, que caso necessitássemos de um plano B, o hospital seria o INSTITUTO DA MULHER.

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Sabe aquelas cenas de filme, onde a mulher chega no hospital gritando de dor, já parindo? Pronto, era eu! Colocaram-me numa cadeira de rodas e me encaminharam para fazer um exame. Lembro das pessoas me olhando e cochichando, algumas rindo e fazendo desdém do meu estado. Levantei da cadeira para entrar na sala e foi nesse momento que a bolsa estourou. Senti aquele líquido escorrer pelas minhas pernas e queria olhar a cor que ele tinha. Estava ótimo, sem presença de mecônio. Que maravilha, pensei!

– Querida, não temos o dia todo aqui. Deite na maca para fazer o exame! Disse a auxilar/enfermeira.

No meio de uma contração ainda tive forças para pedir um pouco de calma, que ela esperasse a contração terminar para eu subir a escadinha e deitar na maca.

– Não dá para esperar, suba logo, suba, vamos!!!!

– Moça, não consigo, tenha um pouco de paciência!

Minha doula, sempre gentil, tentava contornar aquela situação e me proteger de qualquer ameaça de estresse e desentendimentos que eu pudesse presenciar.

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A voz daquela mulher já estava ecoando nos meus pensamentos. “Vamos logo, deite! Não dá para esperar, vamos!” E assim começou o primeiro, dentre os vários absurdos que irei relatar nessa triste história. A partolândia havia ficado em casa e desde o primeiro momento em que pisei naquele hospital, tive que lutar contra tratamentos desumanos, grosserias, despreparo de profissionais e, pela primeira vez, pude sentir o que quer dizer Violência Obstétrica.

-Cale a boca, eu vou esperar a contração passar e só assim irei subir essa escada!

Só consegui pronunciar essa frase. Finalmente silêncio, era tudo o que eu queria. Subi aqueles dois infinitos degraus, abri as penas na frente de umas 7 mulheres, algumas com seus maridos, a porta da sala aberta (isso era so um detalhe) e recebi o meu primeiro toque, dentre muitos que ainda viriam.

E lá estavam os meus 8cm de dilatação. Como pode? Só estou em trabalho de parto há apenas duas horas! Eu teria um parto rápido e tranquilo. Que bom! Mas eu não voltei para casa. Fui encaminhada para a sala de parto, uma espécie de produção em série, onde vários leitos minúsculos, divididos por uma cortina, separavam uma mãe da outra. Não lembro quantas macas tinham naquela sala grande e gelada. Eram muitos e num deles eu fiquei. Nesse momento estavam comigo meu marido, minha mãe e minha doula. Queria ir para casa, queria o meu ninho, as minhas coisas, a minha banheira que comprei com tanto carinho… me sentia desprotegida.

Colocaram uma bata em mim e pediram para eu ficar deitada na maca. Impossível! Naquele momento nem sentar eu conseguia, deitar era impossível. Só se fosse de quatro. Mas de quatro não era permitido. Saí da maca e me agachei. Meu marido me ajudava nos agachamentos. Nesse momento eu já não raciocinava direito, as dores eram insuportáveis e eu confiava no meu marido para me segurar nos momentos que precisava. Os agachamentos eram feitos na frente de todos os transeuntes do hospital. Profissionais e não profissionais. Quem passasse por ali viria uma mulher semi nua, dilatada e quase em transe. E lá estava eu e meu marido, andando no meio das pessoas enquanto eu me agachava entre uma contração e outra. Procurava me concentrar, mas era quase impossível com tantos olhares observadores.

O segundo toque aconteceu logo quando cheguei nessa sala. Não lembro quem fez, se homem ou se mulher. Apenas lembro de algumas pessoas na minha frente (talvez fossem estudantes). Abriram a cortina, que me separava das outras mulheres e novamente outro toque. 8cm! Claro que seriam 8cm, eu tinha acabado de receber um toque dolorido assim que cheguei, por que receber outro logo em seguida? Nunca ouvi falar em dilatação por minuto.

Várias outras mulheres estavam em trabalho de parto quando cheguei, podia ouvir os seus gritos. Tentei me concentrar apenas nos meus, mas era difícil.  Minha doula perguntou se eu queria ir para o chuveiro. Claro!!!! Uma água quente deve amenizar um pouco as dores e essa é uma grande verdade. Não lembro como era o banheiro, apesar de todo esse desconforto eu ainda tentava me concentrar nas dores do meu parto. Lembro apenas dos azulejos brancos e que a água do chuveiro respingava por todos os lados, menos em mim. Algumas gotas caiam na minha lombar, o que era maravilhoso.

Queria ficar naquele chuveiro até ter o meu filho. No banheiro não tinha ninguém, havia silêncio e aquela água quente, por mínima que fosse, me acalmava. Esse foi o único momento só meu. Olhava para a minha doula e chorava, queria carinho, palavras de incentivo, queria que as dores passassem. “Você vai conseguir Marcela, dói, dói muito, mas são essas dores que trarão o seu filho. Concentre-se nela e tudo vai fluir.” Infelizmente as palavras da minha doula eram interrompidas constantemente por uma enfermeira que abria a porta do banheiro para dizer que no chuveiro só poderia ficar 5min. Chorei ainda mais porque eu não queria deixar a água, precisava dela, ela cobria o meu corpo e me anestesiava, me dava forças. Ali eu estava segura.

– Quem mandou você molhar o cabelo!? Disse, aos gritos, a enfermeira, que pela milésima vez abria a porta do banheiro e me expunha nua e agachada para todo o hospital ver.

Era proibido molhar o cabelo. Por que? Eu não sei até hoje. Talvez porque não pudesse entrar na sala de cirurgia de cabelo molhado.

– Mas é impossível não molhar o cabelo com esse chuveiro, a água vai para todos os lados, ele tá entupido!

Não sei de onde a minha doula tirava tanta calma para responder a tantas grosserias que aqueles “profissionais” diziam. “Marcela, não entre em conflito com ninguém do hospital.” Essa era a frase que ela mais dizia. Qualquer uma daquelas pessoas poderia ser a que fosse fazer o meu parto. Por isso tínhamos que ter bastante cuidado com o que fazíamos e dizíamos. Até nisso deveríamos pensar e ser cautelosos.

Violência-Obstétrica

Aos pratos saí do chuveiro, parecia uma criança, cujo doce haviam me tirado. Apesar de tudo, aqueles 5min foram maravilhosos. Queria voltar, mas eu já havia ultrapassado o tempo permitido. Para piorar meu cabelo estava molhado. Algo extremamente proibido naquele lugar.Voltei para o meu espaço privado de 4m². O lençol que haviam colocado na maca já estava todo sujo de sangue, fezes, vômito e todos os outros líquidos que havia saído de dentro de mim. Lembro que minha mãe pediu para trocar, mas não era possível. Eu me debruçava nesse lençol e segurava a calça do meu marido enquanto mordia o tecido. Virei um bicho revoltado com aquela situação e já totalmente desconcentrada do meu parto.

Logo após sair do chuveiro expulsaram a minha doula da sala. Disseram que o paciente só poderia ter um acompanhante e eu tive que escolher entre ela e o meu marido. Como não ter o meu marido no momento mais importante das nossas vidas? Como ficar sem a presença da minha doula, da única pessoa que estava me orientando, me dando forças psicológicas e me protegendo daquele local? Chorei ainda mais com a ausência da minha doula. Esse foi um dos momentos mais difíceis, o da escolha impossível…

O terceiro toque aconteceu logo em seguida. Dessa vez um outro médico. Desse eu me lembro, pois assim que ele abriu a cortina e perguntou a minha idade, proferiu a seguinte frase:

– Você sabe que será muito difícil o seu parto não é? Você tem mais de 30 anos e mulheres com mais de 30 anos não devem ter parto normal. Só cesárea! Não era nem para você estar aqui. Além do mais o bebê ainda está muito alto, vai demorar esse parto. Você está fazendo tudo errado, tem que ficar deitada, de barriga para cima e de perna aberta. Você tá empurrando seu bebê para dentro.”

E lá foi mais um toque e algumas palavras de incentivo daquele “profissional.”

Ele escutou os batimentos cardíacos do bebê e tudo estava bem.

Já eram mais de 13h da tarde e eu ainda não havia comigo nada desde o dia anterior. Estava exausta, fraca, cansada e com muita fome.  Minha última refeição tinha sido no final da tarde. Pedi comida, que me foi negada. Pedi um suco e também foi negado. Minha mãe, que era médica, pôde ficar na sala e procurava dentro da bolsa dela algum bombom que pudesse me dar. Por sorte ela tinha uns sachês de mel. Lembro apenas do meu marido colocando o mel na minha boca e dizendo para engolir.

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Colocaram soro em mim, mas a agulha saia constantemente do lugar devido aos meus movimentos. Como se já não bastasse as dores do parto, ainda tinha uma agulha furando o meu braço o tempo inteiro. O sangue começou a escorrer do meu braço e eu fazia força para arrancar o soro. Desisti de pedir para tirar o soro e me conformei com aquela agulha rasgando meu braço.

– O maravilhoso médico que disse que eu não poderia ter parto normal devido a minha idade, 32 anos, foi o mesmo que quis aplicar ocitocina em mim.

-NÃO QUERO!!! Não quero ocitocina, não há necessidade. Minhas contrações estão muito intensas, uma atrás da outra. Em duas horas cheguei há 8cm de dilatação. Já estava com 9cm!!!!

– Assim fica difícil, tudo que eu peço para você fazer, não faz. Você não vai ter parto normal assim, disse o médico revoltado!

Uma segunda escuta foi feita e dessa vez foi mais demorada. Os batimentos estavam bem, mas logo após uma contração houve uma baixa e o médico disse que meu bebê estava em sofrimento. Mas eu vi que os batimentos haviam se regularizado. Como saber? Como confiar? O desespero de que alguma coisa pudesse acontecer com meu filho desviou toda a minha concentração. A fome, o cansaço, o desconforto, a exposição, os toques, tudo isso fazia parte do momento mais importante da minha vida. Foram 9 meses estudando e me preparando para um parto humanizado e saudável. Foram 9 meses participando de rodas de gestantes, lendo livros, fazendo exercícios respiratórios e mais uma infinidade de outras coisas que iriam me ajudar no dia tão esperado. Como um pesadelo eu estava semi nua, com pessoas me observando de todos os lados, com fome, frio e sede, sentindo as dores do parto. Naquele momento eu só sentia as dores, não sentia o que elas representavam, o bem que elas me faziam. Que inversão de pensamentos.

Às 14h meu corpo já não obedecia uma mente cansada e revoltada. As lembranças a partir desse momento são como flashes que vão e vem na minha mente. Comecei a ter delírios… e a sentir que eu iria desmaiar. As contrações já não vinham apenas com dor, mas com uma vontade involuntária de fazer força. Já não conseguia mais ficar agachada, pois eu estava muito fraca. Resolvi ficar de joelhos e fazer dos pés da maca apoio para a minha cabeça. Estava exausta… um sentimento terrível de solidão tomou conta de mim… queria a minha doula, a minha força externa. Fechava os olhos e não conseguia acreditar no estado em que eu me encontrava. Eu estava vivendo um pesadelo no dia mais feliz da minha vida. Sentia-me humilhada, envergonhada, triste e, o pior de tudo, com uma sensação terrível de culpa. É assim que eles nos fazem sentir, culpadas! Como se nós, mulheres, fóssemos fracas e incapazes por natureza. Tiram da gente todas as nossas possibilidades de ter um parto tranquilo e concentrado, tiram a nossa auto estima, a nossa crença em nós mesmas. Havia chegado no meu limite…E foi ali, no chão do hospital, de joelhos, que pedi uma cesárea.  Queria apenas que tudo aquilo terminasse…

A cirurgia já tinha sido indicada antes mesmo do meu marido ir falar com o médico.

Fiquei por cerca de 10 minutos deitada na maca no corredor do hospital a espera da liberação da sala de cirurgia. Minha mãe, que é médica, pediu para acompanhar a cirurgia e disseram que apenas uma pessoa poderia entrar, neste caso o meu marido foi acompanhar. Pelo menos era o que achávamos que aconteceria.

Durante os 9 meses de gestação me preparei psicologicamente para o caso de uma cesárea. Mas uma cesárea com indicações contundentes e necessárias. Lá estava eu, na sala de cirurgia… Há algumas horas atrás meu parto tão sonhado estava fluindo com tranquilidade no aconchego do meu lar. Jamais eu poderia imaginar passar por tudo o que passei. Infelizmente os absurdos dessa triste e real história não terminam por aqui, uma segunda etapa começava.

Assim que entrei na sala de cirurgia, com dilatação total, pediram para eu ficar sentada e receber a anestesia peridural. As contrações estavam muito fortes e pedi para aplicar quando passasse a dor. Fiquei sentada e, mais uma contração, a mais forte que havia sentido, veio assim que sentei. Na procura de algo para me agarrar e de um consolo que fizesse amenizar as dores, involuntariamente abracei o médico que estava na minha frente. Abracei com toda a minha força, disse que estava doendo, chorei porque não queria estar na sala de cirurgia. O médico foi pego de surpresa e o abraço não foi recíproco. De braços abertos ele ficou e logo em seguida vieram as risadas. Todos riram de mim, como se aquele meu pedido desesperado de consolo fosse motivo de piada. Logo em seguida veio a frase que nunca mais irei esquecer. “Calma, senhora, ele é bonito, mas não é pra tanto!” Risos e mais risos…

Por alguns longos segundos desejei morrer, esqueci que iria ter um filho, queria apenas desaparecer e acordar daquele pesadelo que se prolongava por tanto tempo. Queria a minha doula, o meu marido, a minha mãe. Mas aonde estava o meu marido? Só depois que deitei, após terem aplicado a anestesia, foi que percebi que meu marido não estava na sala. “Aonde está o meu marido¿” por diversas vezes eu perguntei aonde ele estava e ninguém respondia. Até que uma enfermeira disse que ali não podia entrar mais ninguém e que não existia esse “negócio” de acompanhante. Na sala de parto tiraram a minha doula e na sala de cirurgia o meu marido. Aos poucos aquele hospital foi me tirando tudo o que eu tinha. Tiraram minha tranquilidade, minha harmonia, minha auto estima, minha coragem, minha intimidade e, finalmente a minha família. Estava só, no momento que seria o mais feliz da minha vida. E foi um dia feliz, pois apesar de tudo, saber que meu filho iria nascer e escutar o seu choro fizeram o meu coração pular pela boca. Ao escutar o seu chorinho senti o meu sangue ferver, a respiração tomar conta de mim e a minha mente explodir de adrenalina. Eu estava anestesiada de amor e alegria. Era a voz do meu filho, meu filho tão esperado e amado. Queria sentir a sua pele, abraçar, beijar, lamber minha cria. Queria olhar para ele e dar as boas vindas a essa terra que o estava acolhendo.

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Como que num relance a médica levantou o meu filho e o levou para outro lugar. Não me deixaram ver, tocar, ouvir, tampouco sentir o coração do meu filho bater forte. Arrancaram ele de mim e o levaram para bem longe. “Onde está o meu filho, onde está o meu filho????” Aos prantos eu suplicava por ele, queria vê-lo! Pediram para eu calar a boca, pois ele estava bem, que era procedimento do hospital e que logo mais ele estaria comigo, limpo e vestido. Ainda chorando, pedi, pela última vez, para ver meu filho. Irritada, uma pessoa da sala pronuncia a seguinte frase: “Pra quê você quer ver o seu filho se você não pode nem se mexer?”

E foi assim que meu filho chegou ao mundo, mais uma vítima de uma violência velada, uma violência silenciosa, que acontece todos os dias com centenas e milhares de mulheres nesse mundo. Logo comigo, pensei! Por que isso foi acontecer comigo? Eu que sempre fui tão engajada na militância do parto humanizado, eu que me preparei, antes mesmo de engravidar, em como proporcionar um parto tranquilo e humano. Li livros, estudei, convenci a minha família, participei de passeatas, preparei a minha casa… Tudo em prol dessa mudança que acredito que vai acontecer. Logo eu fui mais uma vítima. Arrancaram o meu sonho, o meu momento o nosso momento. Meu, do meu filho e do meu marido. Os três separados pelo sistema falho e ignorante. Cada um no seu mundo, na sua sala, nos seus pensamentos… Cada um com a sua dor.

Ainda fui obrigada a passar 3 dias e três noites nesse terrível hospital, cujo relato desses dias de horror deixo para um próximo texto, que farei questão de escrever com todos os detalhes. A verdade é que, em meio as baratas e as grosserias de vários enfermeiros, que fazem parte desse hospital, passei momentos difíceis e, quase que fugida, deixei o hospital numa sexta-feira de lua crescente sem ter, ao menos, um registro fotográfico do dia em que meu filho nasceu. Triste contradição para quem é casada com um fotógrafo profissional.

Ao chegar em casa pude tomar um banho decente. Ainda tinha resto de sangue do meu trabalho de parto pelas minhas pernas. Os meus pensamentos rondavam a minha mente. Revolta, indignação, tristeza… muitos sentimentos ruins juntos. Esfregava o meu corpo com toda força, numa tentativa em vão de limpar minha mente daquelas lembranças. Uma sensação estranha de que eu tinha sido estuprada começou a tomar conta de mim. Será que é assim que uma mulher estuprada se sente? Haviam tirado de mim o momento mais lindo e sublime que uma mulher pode ter. Me maltrataram, me chamaram de incapaz e ainda pediram para eu calar a boca. Eu estava sendo violentada e tinha que ficar calada. Tive medo!

Ilustrações: Marcela Aureliano

Fotos: Projeto Retratos da Violência obstétrica (site: http://carlaraiter.com/1em4/o-projeto/)

72 comentários sobre “Um Parto Estuprado

  1. Não importa quantas histórias eu leia…todas parecem a minha, salvo algumas diferenças, meu parto terminou “anormal ” mesmo toda rasgada….Foram 27 horas de dor humilhação e sofrimento…

    • Patrícia, sinto muito pelo que passou, tenho certeza que a sua dor não foi em vão. Você precisa denunciar a sua história para que esse sistema possa mudar um pouco.
      Espero que seu coração esteja mais calmo hoje. Mil desculpas pela demora em responder a sua mensagem. Sinta-se abraçada!
      bjos

  2. Ha 21 anos atras quando tive meu primeiro filho me senti exatamente assim com um diferencial me senti como um pedaço de carne de terceira muito triste sem ninguem abandonada com pessoas estranhas e o pior sem amor ao proximo estúpidas e zonbadoras.

  3. Me emocionei com seu relato e me identifiquei muito com ele. Infelizmente senti na pele essa violência. Me planejei para o parto normal e com 8 cm me vi forçada a partir para cesárea. Sofri muito no pós parto, me sentia triste, frustrada. As pessoas chegavam para nos visitar, e eu só chorava, me explicava, me sentia envergonhada por não ter “conseguido” parir o meu filho. Hoje meu filho está com um ano e três meses e confesso que essa ferida ainda não cicatrizou.
    Mas me acostumei com essa dor, pois dela veio o meu bem mais precioso.
    Infelizmente com o seu relato, vi que não fui a única. Tenho esperanças que esse sistema imundo mude algum dia.

    • Olá Mendy, desculpe a demora em responder.
      Muito obrigada pelas suas palavras e fico triste que tenhas passado pelo que passou. Sua tristeza é a de muitas mulheres também e também tenho esperanças de que esse sistema mude. Leve adiante o seu caso e denuncie, pois é a partir da sua denúncia que isso pode mudar.
      Grande abraço e fica em paz!

  4. Meu coração sinta muito pra vc! Espero que recuperou. Morava em Manaus mas quando gravidei voltei para meu pais pra ter meu nenem aqui na Inglaterra, onde ‘parto humanizado’ eh simplesmente considerado ‘parto normal’. Acabei de ler sua historia e sei que muito tempo passou mas caso vc quiser uma tradução para ingles, pra te ajudar gritar mais alta e mais longe, entre em contato.

  5. Marcela, eu nem queria ler sua história, nesses dias de bad vibes é tanta coisa ruim que a gente vê, né? Mas fui forte e li, por que eu nunca engravidei e sinceramente nem sei se pretendo, mas o parto é lindo, e é natural, pôxa! Com minha mãe aconteceu algo de um jeito contrário: ela estava grávida aos 41 anos, de gêmeas e sendo hipertensa. Chegou a 7 meses e meio e não aguentava nem andar, tinha que ficar atrelada numa cama. Aí procurou o médico dela e falou que não estava bem, que algo estava dando errado e pediu a cesárea (que é feita EXATAMENTE para casos de risco, até onde eu sei). O médico dela pediu pra ela esperar um pouco mais para terem certeza, mas com uma semana para chegar aos oito meses ela não conseguia nem se mexer. Pediu uma cesárea e o médico fez. Mas mãe sabe, né? Mãe sempre sabe o que é melhor pros seus filhos. Quando minhas irmãs nasceram, prematuras, foram pra encubadora e todos os outros médicos da cidade lavraram o obstetra da minha e minha mãe com críticas. 3 meses depois e descobrimos que o peso de uma das minhas irmãs em cima da outra causou uma lesão cerebral nela (que aos poucos, ainda bem, vem diminuindo). Instinto de mãe tem que ser ouvido! Minha mãe teve eu e meu irmão de parto normal (sendo que apesar do meu ter sido tranquilo e íntimo, o do meu irmão foi feito apenas por uma enfermeira que puxou meu irmão pelo braço e deslocou o ombro dele antes de ele sair do ventre dela!), e sonhava em ter as gêmeas de maneira natural, mas a idade e os problemas de saúde não permitiam.Então pra ela a cesárea serviu do jeito que deve ser: em casos de risco ou impossibilidade de ter por parto normal. Bom, hoje eu tenho as irmãs gêmeas mais diferentes uma da outra, com três anos e as duas normais, por que a lesão da mais velha já está revertendo. Ambas correndo por aí, sendo serelepes e a que teve a lesão aprendendo a falar, bem daquele jeitinho dela, que é a coisa mais linda ❤ São ambas normais, sem nenhum problema tirando esse pequeno atraso motor da mais velha, e o instinto da minha mãe sabia que seria ainda mais prejudicial ficar mais tempo com elas na barriga, como muitos outros médicos afiirmaram pra ela depois, alegando que ela teve sorte. Não teve sorte, foi sabedoria de mãe, de mulher parideira que sabe o que é melhor pra seu filho!

    Eu não sei o que faria no seu caso, provavelmente mandaria todos tomar no olho (pra não dizer pior) e exigiria a sala de parto humanizado. E sei que isso não resolveria nada. Mas apesar de tudo isso, você foi forte, você quis exigir seu direito, mesmo quando achavam que tinham poder de tirar tudo de você. E o melhor de tudo: você não aguentou calada. Isso que eu mais admirei. Pode ter passado por uma experiência que não quer repetir e não quer que aconteça com ninguém, mas só o fato de você abrir a boca (ou melhor, estirar os dedos) e falar, já faz MUITA diferença. Venho acompanhando alguns relatos de atrocidades no parto há uns tempos, desde que uma amiga engravidou. Por sorte, a anjinha dela nasceu em casa, com a doula ao lado, com todo o apoio necessário. Mas o mundo parece que esqueceu que nós humanos somos animais, e ninguém precisa nos ensinar a parir! é um instinto natural, vejo crianças que vão se desenvolvendo doentes e me pergunto se a culpa disso não é de uma cesárea desnecessária. Vai saber, né? Quase certo que ninguém apoiaria um levantamento para descobrir isso.

    Espero que o teu Lorenzo esteja bem, e respira fundo pra continuar com essa tua força, é admirável!

    P.s.: no dia que 32 for idade demais para ter um filho, é por que o mundo não tem mais conserto mesmo. Teu corpo tá no auge! Lindo, fértil e pronto para trazer ao mundo esses pequenos seres cheios de luz que nos encantam! Obrigada por ter essa força!

  6. poxa eu me achamo Aline tenho 35 anos mais durante o parto estava com 34 anos. Marcela passei por td isso em 19/03/2014 quando ganhei meu filho Calebe,um constrangimento sem fim,e o médico de plantao fazia todos os partos menos o meu porque me disse que eu estava fazendo escândalo demais gritando muito,faltava sou eu pra fazer o parto e ele ficou em pé me olhando até eu calar minha boca eu disse como vou ficar calada com tanta dor,e ja tava passando da hora meu medo que ele nascesse meconizado,e nda da bolsa estoura,logo minha irma se retirou da sala ela é tec.de enfermagem e ja trabalhou com esse médico,qud ele viu que ela saiu pensou queiria denuncia-lo dai ele veio rápido com sua equipe disse se deita que vou examina-la quando me deitei ele forcou e estourou a bolsa me deixou lá esperando mais uns minutos,qud minha mãe entrou ele veio logo pra fazer o parto com os estágiarios e ficou só olhando os estudantes fazem o parto.So me acalmei quando vi minha mãe
    comecei fazer forca pra nascer logo e ela ali do meu lado me ajudando,e disseram pra médico que minha mãe era téc.em enfermagem tbm foi ai que me tratarm melhor pois ela conhecia algumas pessoas ali ou se fizessem algum procedimento errado ela saberia,e dai começaram me tratar melhor,e dai o Calebe nasceu de parto normal foi só a minha mae entrar que consegui me concentrar no parto,ela foi meu calmante,minha segurança pois vemos muitos relatos absurdos na televisão durante os partos.Fique mais 2 dias no hospital,fique traumatizada quando cheguei em casa não conseguia me esquecer do que passei durante o trabalho de parto as imagens,as palavras td que passei ali naquelas horas…

    • Oi Aline, sinto muito pelo que passou, sei que suas palavras não refletem o horror que vc passou naquele momento tão especial da sua vida. Mas saiba que essa dor passa, cicatriza… fica um corte profundo na alma, mas os nossos filhos curam essa dor. Eles são a nossa alegria. Um grande beijo

  7. Muito triste este depoimento. Porém, esta é a realidade da maioria dos hospitais. Você vivênciou a dor e o desprezo, não desanime de sua causa. Pois, agora mais do que nunca as mulheres precisam desta conscientização. Tudo de bom.

  8. Bom…Li e tudo…e alguns comentários. .e aqui irei colocar minha opinião
    Ela se preparou ela tem condições financeiras de está em um lugar melhor..
    Tem mulheres que não tem a mesma condição e nem ao menos sabem com se preparar .
    Pq ela logo ela que tanto se preparou caiu nessa cilada que é o serviço público de saúde. .foi vítima de crueldades.. triste e humilhante…
    Sim…mais pq ela?..pq ninguém escuta pessoas de baixa renda e em condições alguma…..e e me mais pessoas como ela passassem por isso eles paravam de maltratar. Pq não saberiam se derrepente estariam fazendo parto de alguém da elite.
    Essa é nossa saúde pública. . Falta tudo inclusive profissionais humanizados…
    Sou da área da saúde sou técnica em enfermagem..e e me ou contra todos esses maltrato.
    Por isso estou largando a área e estou iniciando uma nova caminha…área educação.
    Pois se tivermos uma boa educação teremos tbm bons profissionais …
    Dói saber isso é principalmente em saber que não para aí. ..isso foi o que vc presencio….imagina o que nos…vemos é sabemos é não podemos falar.
    Triste demais….. Graças que Jesus está voltando.

  9. Puxa vida, que triste. Espero não desistir do parto normal com a sua história. Tenho 34 anos, estou me programando para engravidar e quero sim que seja normal. Obrigada por dividir conosco sua dor e que consigamos evitar as possibilidades de encontrarmos carniceiros, como os que, no momento que mais precisou, foram zombeteiros.

  10. Ao ler seu relato revivi todo o sofrimento que também passei no Hospital há 5 meses atrás, te juro que qdo li a parte do médico falando com vc, pude escutar a voz do medico grosseiro que me atendeu…..realmente eles fazem nos sentir culpadas por toda violência que nos causam e ao exigir respeito somos consideradas loucas!!!
    Me identifico também com a frustração de ter me preparado taaanto para um PNH e ao final de td, implorar pela cesárea….te mando um forte abraço e meus lamentos por td o que vc viveu no nascimento do seu bebê.Oxalá sua ferida sare algum dia, porque a minha dói até as entranhas da alma de taaaaaaao triste que ainda me sinto….
    Abaixo deixo o link para meu relato de parto.

    http://psicologiaemamaes.blogspot.com.br/2014/12/meu-relato-de-quase-parto-humanizado.html?m=1

  11. Eu como vc também fui vítima de uma violência obstétrica, difícil querida, graças a deus nossos filhos estão conosco, tente o perdão, apesar de ser quase impossível eu sei…vai libertar o coração, a mágoa só prejudica quem o sente, a justiça de Deus não falha, mas se possível entre na justiça dos homens para ter algum tipo de indenização…meus sinceros sentimentos, compartilho com vc sua dor, que é nossa e de tantas mulheres, isso um dia vai mudar! Parabéns pela maternidade!

  12. NOSSA EU ESTOU REVOLTADA COM TUDO ISSO!
    TEM COMO DENUNCIAR TODOS ESSE FDP, NOSSA QUE HORROR!

    Estou com 9 semanas e 4 dias de gestação e confesso que estou assustada com tudo isso.

  13. Marcela, sinta meu abraço.
    Eu tbm.passei por algo parecido, não tanto como você, um absurdo. Ao mesmo tempo temos nosso bem precioso e estamos tristes.
    Mas nem todos os profissionais são assim, garanto. Infelizmente alguns estão na profissão errada.
    Força.

  14. Marcela, receba o meu abraço e o meu profissionalismo que todos os dias dedico as clientes em trabalho de parto, com muito amor e dedicação…. Graziele de Campinas

  15. não sei nem o que lhe dizer… choro a cada relato desse… também venho me preparando, digo que sou muito egoísta, quis estabilizar minha vida, casar, viajar com meu marido, aproveitar… alguns problemas aconteceram no meio do caminho que me impediram de realizar algumas coisas, minha avó materna, que sempre morou conosco, e meu pai faleceram no ano seguinte ao meu casamento, depois de 1 ano de idas e vindas aos mais diversos hospitais… esse sistema falho, grosseiro e frio eu já conheço, e juro, não quero passar por perto.
    digo que sou egoísta porque só agora, aos 34 anos é que vou ter minha primeira filha, depois de ter tentado aproveitar os 3 anos de casada, e de ter vivido pouco mais de 1 ano de cuidados especiais com meus entes queridos.
    antes mesmo de engravidar tomei muitos cuidados, passei 1 anos praticando exercícios, cuidando da alimentação, regularizando taxas sangüíneas e hormonais, e tentei colocar meu marido na linha junto… quando decidi que era a hora, parei o anticoncepcional, viajei por um mês para aproveitar umas férias de inverno, que infelizmente precisou ser longe do meu marido, que estava de emprego novo, mas assim que cheguei, sem planejamento algum, engravidamos… o que eu pensei que levaria meses, ocorreu em dias de reencontro! que felicidade… tomei todas as precauções para uma gestação tranquila, procuro me alimentar da melhor forma, pratico ioga, pilates e hidro… e, desde muito anos de engravidar tenho um sonho: o parto normal!
    já fui taxada de louca, é verdade, pela maioria das mulheres… troquei de G.O. antes mesmo da primeira consulta, por achar que ela não realizaria um parto normal, o que de fato se confirmou depois de ouvir relatos de conhecidas e de ter notícia do ocorrido com a filha de uma amiga da minha mãe… que foi abandonada pela dita médica no dia em que rompeu a bolsa… enfim, tenho 3 primas que pariram normalmente, mas infelizmente só uma aqui em Manaus, as outras duas moram na Europa e nos EUA, estas duas já pariram o segundo filho, também de P.N. e a daqui de Manaus já vai para o segundo e pretende ter normal também. mas digo que esta tem sorte, pois é filha e irmã de médico, logo, apesar de ter sido o centro das atenções e o assunto mais comentado dentro do hospital, ela conseguiu -ainda- ter um parto rápido e mais humano.. não que ela não tenha relutado um pouco, mas conseguiu realizar sua vontade!

    a cada dia que passa me sinto mais apreensiva, queria me mudar de Manaus, ter minha filha longe daqui, mas já quase com 27 semanas e cheia de coisas pra fazer, certamente esta não seria a ideia mais sensata… tenho muito medo, sinceramente… peço a Deus todos os dias para que eu não precise passar por isso, leio de tudo, dos mais diversos casos… sou recriminada por conhecidos e desconhecidos, é difícil ter sua opinião a respeito de parto normal, onde a futilidade toma conta, onde mulheres agendam cesáreas para conciliar a agenda do médico com a do fotógrafo, manicure e cabeleireiro… sinceramente eu não sou deste mundo.

    sinto vergonha por saber que Manaus ainda é uma terra que, embora acolha pessoas de fora, dispense esse tipo de tratamento, quando pinta um quadro totalmente diferente…

    sei que você, como muitas outras, jamais esquecerão esse momento, mas a única coisa que eu posso dizer é que você tentou, você foi firme em seu propósito e forte em sua decisão, só não conseguiu levar até o fim porque existem pessoas desumanas e que só pensam em si, no seu próprio tempo, na sua própria vontade.

    aproveite sua cria, curta seu filhote… não importa a forma como ele nasceu, ele é seu filho!!!

    • Oi Fana, a cada mensagem que recebo é uma lágrima que sai do meu peito e limpa a minha mente das lembranças que me assombram. Se vou esquecer aquele dia? Jamais! Está marcado em meu corpo, com mais de 15cm de cicatriz.
      As mensagens chegam aos montes na minha caixa de e-mail, mensagens de mulheres humanizadas, cheias de esperanças e fé. Fé de que um dia tudo isso irá mudar e um dia ainda poderemos mostrar a mulher forte que somos. Poderemos ter os nossos filhos de forma natural e amorosa.
      Você, ao contrário do pensa, não é egoísta. Ter um filho é maravilhosos, mas a responsabilidade são inúmeras. Tudo muda em nossas vidas. TUDO! Ter um filho de forma planejada é maravilhoso, pois já há uma preparação psicológica para a mudança que estar por vir. Por mais que seja desconhecida.
      Muito obrigada pelas suas palavras, agradeço de coração. Não se preocupe que tudo vai dar certo na sua passagem. Sim, o parto é uma passagem para um mundo desconhecido e sem volta!
      Parabéns!
      Bjos

  16. Marcela, sinto muito por tudo que vc passou. Também sofri violência obstétrica aqui em Manaus, tbm passei por uma cesárea indesejada, fui humilhada e impedida de ter meu marido ao meu lado, entre outras coisas… Receba o meu abraço e o meu carinho, parabéns pela coragem de compartilhar o seu relato, eu levei quase um ano até conseguir escrever o meu. Já faz dois anos que tudo aconteceu, o apoio (principalmente virtual) que recebi fez uma diferença enorme no meu processo de cura, eu consegui me reerguer e denunciar tudo que aconteceu, o processo contra o hospital está em andamento no TJAM.
    São relatos como o seu que dão força e coragem pra outras mulheres se levantarem e se juntarem a nós nessa luta. Ninguém pode calar a nossa voz, juntas somos mais fortes.
    Mais uma vez, sinta-se abraçada por quem entende a sua dor, desejo muito que vc tenha força e o apoio necessário pra ir em frente. Um beijo

  17. Você, guerreira, não merece esse mundo, esse sistema, essa sociedade dizimadora das mulheres e de sua força. Eu sou a comedora de placenta, lembra do dia 02 de julho? Sei como você se sente. Sei mesmo. O problema é que a gente é educado (educação, mas que inutilidade nos dias de hoje, com essa violência institucionalizada, educação não serve de nada na hora que o sistema quer lhe fuder!), a gente é treinado pra se submeter ao poder médico, e nenhuma alternativa é legítima. Mas a medicina moderna é o câncer. É perversa, é sintomática e doente, doentia, patológica, capitalista e patriarcal, machista. É o caos, querida. A mãe natureza perdeu sua legitimidade para o patriarcado. Mas somos muito mais fortes que toda essa baboseira hospitalar! Nós, mulheres, que não nos odiamos como ensinam as novelas da globo, que não somos incapazes e debilitadas como nos diz a medicina, NÓS, juntas, podemos passar por isso, nossa força é infinita. Essa força a gente só conhece quando nossa única opção é ser forte. Eu estou com você! E com Adelir e tantas outras Marias fortes como nós. Não consegui curar minha dor, luto todos os dias contra as coisas horríveis que sinto. Mas a vida esta acontecendo nos meus braços, diariamente. Em frente, mulher, vamos juntas nessa caminhada.

    • Oi Carolina,
      Sim, lembro demais de você. Li o seu relato após ter meu filho e chorei muito com ele. Triste sistema a que somos submetidas. Inertes temos que ficar, como um cãozinho adestrado e medroso. O medo de que façam o pior com a gente e com nossos filhos que vão nascer.
      Muito triste e revoltante tudo isso. Você entrou na justiça? Sim, essa dor é enorme e vamos carregá-la por muito tempo, mas nossos filhos nos curam todos os dias, são eles o nosso melhor remédio. Só o amor infinito para curar essa dor e essa revolta que nos consomem.
      Sua força me comoveu!
      Grande abraço e fique em paz!

  18. Marcela, receba meu abraço, torço para que você consiga curar essa ferida através do amor do seu bebê, que é mais forte do que tudo! Se você ficar atenta, verá que á maneira dele, ele está cuidando de você enquanto você cuida dele, e zelando pela sua cura!
    Meus partos foram bem parecidos com o seu, muito rápidos e dolorosos, só a água quente do chuveiro e a posição de quatro me aliviavam.
    Imagino o quanto você deve ter sofrido. Estamos juntas na luta para mudar essa situação!
    Se me permite perguntar, o que houve com os enfermeiros que não atenderam ao telefone??
    Um beijo e tudo de bom para você e seu bebê!

    • Oi Fabiana, rápidos e doloridos. Tem coisa melhor? Acho que não. A natureza é linda. Infelizmente o sistema não acredita nela.
      Obrigada pelas palavras.
      Em relação aos enfermeiros, até hoje não sei o que aconteceu para eles não atenderem a ligação. Nunca me responderam.
      Mas eu fico pensando… mesmo que eu não tivesse meu filho em casa, com os profissionais que contratei, era para eu ter parido em hospital, com respeito e dignidade. Mas isso não acontece.
      Infelizmente!
      Grande abraço.

  19. Obrigada por compartilhar sua história triste em detalhes. Detalhes que nos dão força para lutar em prol de um parto com dignidade para todas! A luta é por todas as Marcelas que tem seus partos engolidos pelo sistema sem dó nem piedade!

  20. Ai querida…. sinto muito…. vivi lendo o seu relato, o parto do meu 1º filho, a quase 13 anos atrás …. e o pior, não me fizeram nem a cesárea, que talvez pudesse ter ajudado ele, depois de me humilharem de todas as formas possíveis, eu estava esgotada, fraca, com fome, dolorida, e ainda sim, subiram em mim, empurraram meu bb, quase me mataram, e meu filho? Meu filho engoliu muito mecônio, foi direto para a UTI, por várias vezes quase perdi meu bb, teve infecção generalizada, 4 convulsões, 3 paradas cardio-respiratórias, e saiu (com a graça de Deus saiu vivo) do hospital com o laudo de anoxia perinatal grave, e uma “abençoada” de uma médica ainda me disse: olha mãe, seu bb vai ser doido…. — Não doutora, não vai, vou lhe mostra que não, daqui a 1 ano trago ele pra senhora ver! ( minha resposta a aquela anta).
    Meu filho saiu do hospital já para as sessões de fisioterapias e terapias ocupacionais, consultas infindas com neuros e pediatras, mas houve um milagre e hoje ele não tem sequela nenhuma… mas não graças a aquela “equipe de profissionais”, mas sim pq Deus fez um milagre … pq talvez eu nem tivesse mais o meu bb hoje ….
    Então amada, lute pra que no seu próximo parto, tudo seja diferente…. mesmo que vc tenha que parir em casa… mas não confie nesses uns que se dizem “profissionais”, pois são os que mais nos humilham e maltratam….
    bjos.

    • Samara Vidal,
      Suas palavras entram no meu peito como lâminas afiadas, cortam o meu coração em pedaços. Saber que várias mulheres, como você, passam por isso todos os dias é muito triste. E aí eu me pergunto: O que está acontecendo com o mundo?
      Temos que alertar a sociedade para essas atrocidades. Parir é lindo, com toda a sua dor que traz a nossa cria. Parir é maravilhoso, sei disso! Sabemos, no nosso inconsciente, que temos a força e coragem necessárias para trazer um filho ao mundo.
      Muitas mulheres passam pelo o que passamos e acham que é normal, que deve ser dessa forma, pois com todas é assim. Mas não é! É violência, é crime, é desumano.
      Sinto muito pelo o que passou, fico feliz que seu filho esteja bem. Graças a você!
      Grande beijo e fique em paz!

  21. Quando vi o título, me perguntei se não era exagero escrever “Um Parto Estuprado”, mas vi que não exagerou: deve ter sido horrível. Nunca senti vontade tão grande de dar um tapa na cara de um estranho quando li as reações desumanas das pessoas, dos funcionários… Trabalhei em um hospital e sei que, infelizmente, essas coisas acontecem embora não da maneira intensa como foi com sua experiência. Sei que esses funcionários transgrediram uma infinidade de leis e regras: falta de higiene com o lençol, a expulsão de acompanhantes, a falta de respeito com sua dor. Eles não merecem exercer a profissão.

    • Olá Andreia,
      É muito triste que pessoas com tal insensibilidade trabalhe numa área onde deve haver humanismo, dedicação e carinho com o próximo. Infelizmente isso é corriqueiro, mas devemos denunciar e fazer barulho.
      Obrigada pelas palavras.
      Abraços.

  22. Querida Marcela,
    Estou prestes a ter meu bebê e não consigo nem imaginar o que você deve ter passado. Seu relato me emocionou muito e a única coisa que posso te dizer é que espero que a cicatriz dessa abominável violência se torne símbolo para que todas nós, mulheres, lutemos para punir e extinguir de vez essa barbárie naturalizada que acontece em nossos hospitais. Espero que a justiça seja feita, e que sua alma se cure. Diante das dores mais profundas da vida, descobrimos a nossa enorme e poderosa força de superação. Um grande abraço pra você e sua família. Juliana Conde.

  23. Lamento muito a atitude desses “profissionais” em relação a você e a sua família. No seu lugar, eu também colocaria na justiça sem nem exitar, isso não pode ficar impune de modo algum e parabéns pela iniciativa de dar seu depoimento, pode ajudar outras mulheres a não passarem pelo que você lamentavelmente passou.
    Campinas-sp

  24. Marcela receba meu abraço.
    É triste demais termos o nosso momento de transição de filha para mãe roubado , me emocionei demais com seu relato. Eu sofri violência obstétrica da forma mais doce possível e só fui me dar conta disso 4 anos depois quando minha segunda filha foi parida e não arrancada de meu útero como a primeira, mas mesmo com a equipe carinhosa que nos recebeu ainda passei por abusos do “protocolo do hospital” que sorrateiramente esperou a equipe se afastar e aproveitando da minha fragilidade para praticar procedimentos desnecessários como por exemplo limpar e pesar um bebê que já havia recebido os cuidados necessários da carinhosa neo no co, os demais como levar meu bebê de mim, fazer teste de glicemia eu não permiti, e apesar de termos recebido alta eles queriam nos prender no hospital, bati o pé e fui obrigada a assinar um termo. Nosso sistema obstétrico, nossos profissionais de saúde precisam se abrir, se atualizar e aprender a praticar um tratamento mais humano.

    • Olá Patrícia A. R Figueira, sinto muito pelo que passou. Realmente é revoltante. Mas é a realidade. Eu também assinei vários termos de responsabilidade para poder sair do hospital É uma palhaçada sem tamanho.
      Grande beijo e fique em paz.

  25. Prezada Marcela, repito deve entrar com uma Ação contra essa Maternidade, contra esses canalhas [Técnicos de Enfermagem, Enfermeiras, Obstetras e Pediatras] que não só cometeram Violência Sexual, também larapiaram seu Parto, seu Bebê, sua Doula e sua Família. Não duvide, vai vencer, a Defensoria Pública vai fazer justiça. É fácil identificar os involucrados nesta barbaridade. Um abraço.

  26. Oi Marcela, tudo bem?
    Sou estudante de Design Gráfico e estou fazendo um trabalho sobre parto humanizado…. adorei seu relato, e gostaria de conversar melhor com vc pra saber se posso usar algumas partes.
    obrigada!

  27. Marcela, Receba o meu abraço solidário. Sou doula e fiquei muito triste em saber que o seu PD planejado tenha acabado desta maneira. Aqui atuo como voluntária no hospital da cidade e o que vc conta é a realidade dos partos pelos quais passam as mulheres daqui. Como doula no hospital e sendo voluntária não posso fazer muito mais que acolher, massagear, orientar posições, levar para o chuveiro…queria poder fazer bem mais. As mulheres que parem lá saem dizendo o quanto o parto é doloroso e sofrido, mas na verdade elas querem dizer que as violências que passam no hospital é que fazem dos seus partos sofrimento. A Lei do acompanhante é uma piada e eles são deixados de lado sem explicações…e as mulheres ficam sozinhas e a mercê de toda sorte de desrrespeito. Toques desnecessários, posição nada favoráveis, fome, sede…é horrível. Beijos em vc e sua família!

    • Oi Nine, que maravilha receber uma mensagem de uma pessoa que faz tanto por essa mudança. Pessoas como você estão plantando a mudança e aos poucos sei que isso vai mudar. As mulheres estão começando a gritar e a força feminina é avassaladora.
      Sim, é revoltante o que está acontecendo. O parto tornou-se um tormento para as mulheres. Algo que deveria ser prazeroso e natural tornou-se símbolo de sofrimento. É isso que esse sistema nojento vem espalhando por aí. Estão anulando a força feminina e tirando de nós algo que a natureza reserva apenas para as mulheres. Algo divino e sublime. Muito triste tudo isso.
      Obrigada pelas palavras. Guardo-as em meu coração.
      Grande beijo.

  28. Triste, revoltante! Também passei por uma cesárea desnecessária, em uma famosa maternidade de São Paulo, e ouvi vários cala a boca de enfermeiras porque estava tendo contrações e não conseguia ficar deitada na maca. Que mundo é esse?

    • É Thaís, que mundo é esse? Essa é a pergunta que me faço todos os dias… Mas é o mundo em que vivemos e escolhemos para evoluir. Se estamos aqui é por alguma razão. Quero fazer a diferença e sei que mulheres como nós estão fazendo toda a diferença nesse mundo. É assim que procuro pensar, caso contrário enlouqueço pensando nas atrocidades que fazem com nós mulheres.
      Fico triste que tenha passado pelo que passei, transmito energias positivas para você e sua família.
      Grande beijo e fique em paz

  29. Comecei lendo seu relato Marcela e, aos poucos, o mesmo foi se confundindo com o que também, infelizmente, vivi, no parto de meu 1º filho. Até o dia é o mesmo por coincidência: 06 de maio. Quando voltei do centro cirúrgico pro quarto estava ainda em prantos e sem conseguir falar uma palavra. Acho que ninguém da família que estava lá nos esperando, entendia o tamanho da minha triste e horror. Alguns me confortavam pensando que eu estava triste por ter passado pela cesárea, por não ter conseguido o parto natural. Claro, tinha essa tristeza mesmo, mas minha cesárea foi indicada pelas pessoas em quem eu confiava completamente, os anjos da Casa de Parto de Juiz de Fora. Lá, calor, carinho, amor, dignidade. No hospital, descaso, frieza, tratamento desumano. Muito triste esta violência silenciosa que acontece a todo momento, sem que possamos fazer nada. Hoje me arrependo de não ter processado o hospital, enfermeiro, médico anestesista. Meu marido pensou em fazer uma queixa no dia da saída, mas pedi para ele não fazer. Tudo que eu queria era sair daquele hospital onde se pudesse prever, não teria procurado.

    • Olá Cládia Garcia, sinto a sua dor como se fosse a minha, pois sei exatamente o que passou. Sim, é uma violência silenciosa e dissimulada. Como isso pode acontecer com os nossos filhos? Fico me perguntando como isso é permitido nesse mundo??? Como? O certo é que tá tudo errado, uma teia de aralha nojenta envolve todo esse sistema de saúde. Infelizmente, nós somos as vítimas.
      Transmito a você e sua família energias positivas das minhas orações.
      Grande beijo e fique em paz!

  30. Eu sofri também, praticamente tudo isso. A solidão, a dor, a grosseria, a falta de estrutura do hospital, a ocitocina sintética, a episiotomia, as mãos do médico dentro de mim puxando minha filha e dois médicos em cima da minha barriga empurrando com toda a força. Depois do parto me sentia a abandonada no corredor desde as 10 da manhã até 14h, que era quando o hospital dava altas e liberavam leitos. Fui impedida de me comunicar com qualquer pessoa que fosse, não tinha ninguém pra me atender e nem sequer se deram ao trabalho de me dizer que meu marido ligou pro hospital diversas vezes depois que ele foi expulso. Eu entendo essa dor, eu tentei juntar meus pedaços depois do parto, por causa da ocitocina sintética não conseguia prazer nem felicidade por ter parido minha filha. Foi a pior dor e a pior experiência. Se eu tiver outro filho será em casa ou em uma casa de parto aqui em Brasília.

    • Gabigarcia2,
      É com muita tristeza que também leio as suas palavras. Por muito tempo me culpei pelo que passei. Mas nós não somos culpadas e sim vítimas de algo terrível que está acontecendo com os partos no Brasil e em muitos outros países. Centenas de mulheres estão parindo dessas forma nesse exato momento, isso me deixa triste…
      Mas temos que começar a fazer barulho e incomodar, temos que entrar na justiça e buscar os nossos direitos. Sinto muitíssimo por vc, sei que é uma dor infinita, que não passa. Infelizmente.
      Grade beijo e fique em paz

  31. Um nó na boca do estômago e muitas lágrimas… Muito obrigada por compartilhar sua história, desta forma ajudará muitas e muitas mulheres. Você foi guerreira e é um exemplo para todas nós. Muita força!!! Te envio muitas energias positivas, a você, seu marido e ao Lorenzo. Bjks, Dani Braz.

  32. Querida, sinta-se abraçada!
    A culpa não foi sua, vc fez o que pode, dada a situação a que foi submetida!
    Entre mesmo com ação contra esse hospital e contra essas pessoas
    Que vc supere essa dor e encontre forças pra continuar!
    Bjo

  33. Nossa, Marcela. Li seu texto inteiro e não pude segurar as lágrimas. Chorei muito com esse relato.
    Nunca imaginei você passando por isso… Desejo muito momentos de alegria pra sua família. Se precisar de algo pode contar comigo e minha família sempre. Beijos

  34. Oi Marcela! Muito triste tudo isso. Hoje em dia somos praticamente obrigadas a ter nossos filhos de parto cesárea. Nos impõem isso, não nos deixam escolher. Você resolve que quer ter seu filho de parto normal, pronto! Você é a anormal! E querem te convencer do contrário usando os mais ridículos argumentos. Senti um pouco da sua dor ao ler esse relato. Somos muito violentadas mesmo. Não nos deixam assumir nosso papel de mulher e protagonista do nascimento de nosso filho. Isso é lastimável! Espero que esse mundo louco volte ao normal e que esses “profissionais” da classe médica mudem essa postura vergonhosa e desumana! Boa sorte e sinto muito por tudo.

    • Olá Yone,
      Que bom que muitas mulheres ainda pensam como você. Mas é como você mesma disse, somos quase que obrigadas a ter uma cesárea. De forma velada e dissimulada as mulheres são “convencidas” de que o parto normal é um retrocesso. Aos poucos isso está mudando e vamos voltar a normalidade.
      Grande beijo e fique em paz!

  35. Oi Marcela,
    lamento que seu marido não pode participar desse momento sublime de ter um filho, mesmo sendo cesarean, ele deveria estar com você. Meu primeiro bebê veio ao mundo de surpresa, ele tinha complicações e a bolsa estourou antes do tempo. Ele nasceu e viveu, por 37 minutos apenas, Mas mesmo assim, minha irmã registrou por filmagem. Depois a minha segunda gravidez foi tranquila, apesar de eu não poder ter normal, foi maravilhoso. É triste saber dessas atrocidades do sistema público. Não deveria ser assim. Na Terceira gravidez, gostaria de poder ter normal, vamos ver… terei já 35 anos… mas vou também tentar me preparar… quem sabe…
    Felicidades para você e sua família.
    Fabyanne

    • Oi Fabiyanne Gomes,
      Sim, é muito triste ter que passar por essas situações. Muito obrigada pelas palavras de carinho e não se preocupe que você terá o seu parto normal, basta querer, se preparar e ter uma equipe boa em sua volta.
      Bjos

  36. Marcela, se vc me permite,irei compartilhar a sua estória em minha página…para que realmente sejamos muitos envolvidos nessa questão. Eu como mãe de duas meninas,futuras mães..sinto-me na obrigação de lutar por melhores condições de VIDA literalmente…fiquei muito chocada com os seus relatos…sinto mto mesmo,até porque conheci a sua estória e sei a importância desse momento na vida de vcs dois. Também como mulher sinto-me envergonhada por este sistema falho e incapacitado…conte comigo na sua luta. Grande beijo

    • Oi Rafa, muito obrigada pelas palavras. Realmente, você, como mãe de duas filhas, deve se preocupar, pois parir é o momento mais especial da vida de uma mulher. É um momento íntimo e de transformação. Tem que ser com amor, carinho e respeito. Grande beijo!

  37. Como pode? Isso é revoltante… Porém tudo tem um proposito para Deus, e talvez Ele tenha usado dessa maneira msm que cruel para que vc possa ir mais longe e ajudar a milhares de mulheres que passam por isso e por medo, vergonha, ou falta de entendimento ficam caladas. Não desejamos isso a ninguém, e por mais doloroso que seja, escreva, publique, vá mais longe.
    Abraços!

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