Meu fiho nasceu, cadê o amor e os corações voando?

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Quando eu escutei o chorinho do meu filho pela primeira vez parecia que meu coração ia sair pela minha boca. Não consigo associar algo tão grandioso quanto aquele pequeno sonzinho que escutei no dia 06 de maio de 2014. Tum, tum, tum tum… meu Deus do Céu, acalma o meu coração senão vou ter um piripaque antes mesmo de ter meu filho nos braços, pensei! Que emoção!!!!!

Meu filho nasceu! Lá estava ele, cabeludo, vermelhinho, pequenininho, molinho, gostosinho e indefeso. Meu instinto de proteção e cuidado estavam aguçados. Queria cuidar dele, protegê-lo, envolver nos meus braços e alimentá-lo para sempre no nosso ninho que preparei com tanto cuidado durante 9 meses. Ninguém faria mal a ele enquanto eu estivesse por perto. Lembro que passei 3 dias seguidos sem dormir e o cansaço tomava conta de todo o meu corpo e mente, mas alguma coisa me deixava sempre alerta. Era o meu instinto de mãe tomando conta de mim e me moldando para uma longa transformação pela qual eu estava passando.

Lembro como se fosse ontem da primeira vez que o vi, o primeiro toque, a curiosidade… lá estava ele. Minha barriga vazia e mole, meu corpo em ebulição de hormônios e sentimentos confusos e MEU filho bem ali na minha frente. Foi o momento mais louco da minha vida! Lá no fundo eu escutava minha mãe falar: “Você acredita que esse ser tão lindo saiu de dentro de você?” Não, eu não acredito, ainda estou processando tudo isso.

Os dias foram passando e a rotina insana de uma mãe de primeira viagem, em pleno puerpério, iniciava. Entrei numa caverna e só saí de lá uns 6 meses depois. A caverna da transformação (leia mais sobre isso nesse post). Foi nessa caverna que eu deixei a Marcela independente e livre morrer para nascer uma nova Marcela, com outra identidade. Renasci como mãe. Para quem acha que esse processo foi tranquilo está muito enganado.

Enquanto os dias se passavam e eu ia tomando consciência de tudo aquilo que estava acontecendo, me dei conta de uma coisa: Cadê os coraçõeszinhos voando, os passarinhos cantando e aquele amor transbordante que disseram que eu ia sentir pelo meu filho? Com certeza eu tenho algum problema, será que eu sou psicopata? Estou com depressão pós parto. E lá vai eu pesquisar na internet… “baby blues”. É isso, devo tá com alguma disfunção hormonal e logo logo estarei vendo os corações.

Mas nem os corações e muito menos os passarinhos chegaram. Meu filho, tão lindo e vermelhinho era um estranho pra mim. Era inevitável o sentimento de proteção e carinho que eu sentia por ele. Algo tão grandioso que eu me sentia como uma leoa pronta para atacar quem ousasse arrancar um fiozinho de cabelo dele. E olhe que ele tinha muito cabelo. Mas não foi isso que eu escutei a minha vida toda. Na verdade tudo que me disseram sobre a maternidade foi uma grande mentira para mim.

Fiquei com tanta vergonha desse sentimento que eu escondia para mim mesma o que eu estava sentindo. Conversar com alguém? Jamais! Mas foi num momento de muita fragilidade e pedido de socorro que criei coragem para conversar com uma grande amiga. E foi assim, meio sem jeito e medrosa que disse: “Amiga, acho que tenho algum problema, porque não me sinto num mar de rosas como as outras mães… as vezes acho que não amo tanto o meu filho como as outras mães. Será que eu sou normal?”

– Sim, você é normal!

Só de escutar aquela frase um peso enorme saiu de cima das minhas cortas e até ajeitei a minha postura para saber porque eu era normal. Marcela, Lorenzo é o seu filho, mas querendo ou não ele é um estranho para você. Vocês estão se conhecendo, aprendendo a lidar um com o outro. Estão na fase de apresentação. Esses 3 ou 6 primeiros meses são difíceis. Para os dois! Esse amor caricaturado que vimos nos filmes e novelas não acontece com todo mundo. Para algumas pessoas esse processo é mais lento e para outras não. O vínculo entre vocês já aconteceu, isso é notório. Seu cuidado, atenção, dedicação… esse é o amor sendo construído e moldado. O seu amor não vai nascer de um dia para o outro, mas ele já está aí. Você apenas idealizou algo muito florido e diferente da realidade. Não se cobre tanto e sinta as coisas acontecerem.

Eu ainda estava “vestindo” a minha nova identidade de mãe, aceitando a nova mulher que a natureza estava moldando dentro de mim, conhecendo o meu filho e vivendo uma realidade totalmente diferente da que tinha. Eu havia acabado de entrar na caverna. Por que me cobrar tanto? Por que buscar informação fora se tá tudo dentro de mim? Acalma o teu coração, Marcela! Segue com a sua intuição, agora você é mãe. Aceitei o meu sentimento em construção e voltei para o nosso ninho. Meu e do meu filho. Era lá que deveríamos estar e não ter saído nunca. Dentro dos nossos sentimentos, dos nossos aprendizados, das nossas conquistas, dos nossos erros e acertos. Dentro de nós mesmos.

Não iríamos encontrar nada do lado de fora, pelo menos naquele momento. Respeitei o tempo e absorvi todo o aprendizado que ele me proporcionou. Senti o amor sendo construído, cada gotinha dele entrando dentro da gente… ele chegou devagar, abrindo espaço com cuidado e respeitando os limites de cada um. Foi delicado, suave, leve e respeitoso. Acreditei em mim, no meu filho e em toda essa loucura que a maternidade nos proporciona. Deixei de lado toda uma crença que foi imposta dentro de mim. Joguei tudo no lixo e abri espaço para a entrada do verdadeiro amor.

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Quando entrei na caverna.

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Lorenzo com 4 dias de nascido e eu iniciando o renascimento

Quando entrei na caverna estava tudo escuro, não sabia aonde meus pés descalços estavam pisando. Apalpava as paredes na intenção de sentir aquele lugar. Que lugar estranho, parecia ser grande e não ter fim… profundo e misterioso.

Eu andava, andava e não encontrava um local confortável para descansar. Sentei em qualquer lugar, estava cansada. Queria apenas esticar o corpo e repor as energias daquela longa caminhada que eu havia feito. Tinha algo em meus braços, um presente que me foi dado. Como era lindo… de dentro dele saia uma luz que iluminava todo aquele ambiente escuro.

Meu corpo… me sentia diferente. Passei as mãos pelo meu ventre, pelos meus seios, meu rosto… tudo mudou! Ali não tinha espelho. O que aconteceu comigo? Não sei, ninguém me explicou nada. Que local é esse?

Quando entrei na caverna esqueci que havia um mundo lá fora… esqueci o meu passado, a mulher que eu era… o que eu iria fazer do meu futuro… Na caverna o tempo parou e uma incrível transformação iniciou-se. Passei alguns meses dentro dela. Comecei a agir por instinto e uma sensação diferente percorria meu corpo e minha alma. Eu mudei.

Quem sou eu? Quem sou eu agora? Quem sou eu nesse exato momento? Eu sou a mulher que sempre fui! Não, não sou mais… Mas eu quero ser! Essa morreu! E quem vive agora? Ela está renascendo!

Durante cinco meses eu vivi uma intensa transformação. Esqueci o que era vaidade, lazer, vida social, trabalho… esqueci quem eu era. Era preciso esquecer. Uma outra identidade estava se formando dentro de mim e, quando eu saí de dentro da caverna, eu havia me tornado a mãe do Lorenzo. Viva o puerpério!

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Lorenzo com 6 meses e eu renascida

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Carta para uma puérpera I

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Aqui estamos nós novamente, só eu e você, juntos no embalo da rede. Meu local preferido… ouvindo as batidas do nosso coração, esse som que me embalou por tanto tempo dentro da minha primeira casa. Agora ele é o sinal de que você está perto de mim. Gosto de ouvi-lo, pois sei que tá tudo bem com você.

Minha mãe, minha amiga… Sou seu principal confidente, para mim não pode mentir. Sinto seus sentimentos em cada célula do meu corpo. Você ainda vibra em mim, como a água que me envolvia durante o tempo que passei no seu templo. Sei que anda cansada e muito sozinha. Do que você sente tanta saudade? Essa noite quis tanto te acolher, mas você preferiu ficar só.

Saiba que essa saudade que sentes é normal, acompanhei a sua transformação inicial e senti o que você foi deixando para trás. Primeiro foi o seu mestrado, depois a mudança de planos da sua viagem tão sonhada em comemoração ao aniversário de casamento; logo após você pensou que estaria ainda mais longe a possibilidade de passar 4 meses na Inglaterra e aprender uma nova língua. Sem falar do novo cargo no trabalho que iria assumir… Por fim, e não menos saudosa, a sua liberdade plena… A liberdade de ir e vir sem preocupação com ninguém, a não ser com si mesma. Eu estava lá, compartilhando cada despedida e cada saudade que você sentia da sua antiga vida.

É por isso que não te deixo só, pois sei o quanto deve ser pesado mudar de forma tão rápida a vida. Sei que fizesse isso por mim, porque no dia em que eu avisei que chegaria, você sorriu e aceitou passar por todas essas transformações. A principal delas foi doar por 9 meses o seu templo sagrado para meu corpo crescer e preparar-se para vir a esse mundo. Serei eternamente grato a você, minha mãe querida, por tantas doações e desprendimentos.

Não deixarei a melancolia aproximar-se de você, pois a todo tempo estarei em teus braços, desviando os seus pensamentos e te dando o apoio que precisa. Minha gratidão a você irá percorrer as madrugadas e os dias, onde juntos vamos nos fortalecer e passar por todo esse processo em conjunto. Sozinha jamais ficará, minha amiga, estou aqui, sentindo e vivendo o nosso nascimento nesse leve embalo da rede!

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Somos todas Belas, mesmo dentro de um casulo.

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Sabe aqueles dias em que você tira para ver fotos antigas e saudar a sua história e tudo o que já foi vivido até o presente momento? Pois é, ontem eu me permiti abrir as minhas fotos e relembrar esses momentos. Estava de coração aberto e livre de julgamentos e preconceitos sobre as minhas imagens.

Percebi algo muito interessante nas várias mudanças que meu corpo passou ao longo desses anos… A minha visão sobre o que é belo mudou completamente e a sensibilidade com relação a esse tema é muito mais sutil do que há alguns anos atrás.

Quando meu filho nasceu a minha mãe fez a seguinte pergunta para mim:

– Filha, você acredita que esse ser tão perfeito e lindo saiu de dentro do seu corpo?

Ainda incrédula respondi que não, mas com o passar dos dias a ficha foi caindo e a cada dia que eu via meu filho desenvolver-se eu me sentia mais poderosa e forte. Era como se eu sentisse o poder que temos dentro de nós e a grandiosidade que esse corpo, nosso Templo Sagrado, carrega dentro de si.

Agora eu pergunto a vocês: Como achar feio um corpo que tem o poder de gerar uma vida perfeita e saudável? Como desmerecer esse corpo que esticou-se, abriu-se e produziu alimento para a criação e o desenvolvimento de uma vida? Como negar um milagre?

Impossível não sentir e enxergar beleza nisso tudo.

Nós mulheres estamos tão desconectadas com esse incrível poder que todas nós possuímos que passamos a ver esse momento sublime como algo que deve terminar logo para que possamos voltar ao que éramos antes de engravidar. Mal terminamos de parir e já estamos obcecadas em retomar o corpo perfeito que tínhamos. Precisamos e necessitamos entrar nos padrões que a sociedade nos impõe e para não decepcioná-la dançamos conforme a música.

Esquecemos de que tudo o que o nosso corpo quer nesse momento é ficar quieto e se reabastecer de amor e acolhimento. Resguardo, o próprio nome já diz… refúgio, abrigo, cobertura, reduto, acolhimento. Guarda o teu Templo Sagrado e usa o ninho que você construiu para o seu filho.

A beleza está no que você sente sobre a pessoa, a sua história e o momento em que ela vive. Belo é muito mais do que traços e formas, é o que está por trás da matéria. É a essência! Nós mulheres, no período puerperal, estamos dentro de um casulo, recolhidas num universo paralelo e íntimo. Dentro desse casulo acontecem diversas transformações, mas a mais incrível delas é a nova personalidade que está se moldando lentamente.

Ao sair desse casulo, renascemos e passamos a ver e a sentir o mundo de outra forma. Toda borboleta precisa passar pela sua metamorfose e acreditar que após esse período de reclusão ela terá o mundo inteiro para explorar e conhecer. Será abençoada pela dádiva de voar alto.

Agora eu te faço outra pergunta:

– Qual beleza você deseja para si? A liberdade da borboleta ou a prisão dos padrões?

Eu desejei ser livre o voar alto para sentir o pulsar da vida. Mergulhei fundo no meu puerpério, enfrentei minhas sombras e minhas limitações. Mas também vivi belos momentos ao encontrar as minhas potencialidades e os meus novos sentimentos.

Escolhi ser borboleta.

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Eu sou uma mãe péssima: Sinto inveja, raiva e culpa!

Quantas vezes você julga o seu papel de mãe?
Quantas vezes você se sente culpada com os erros que cometeu com seu filho e por não ter conseguido fazer melhor?
Quantas vezes você se sentiu sufocada no dia a dia da maternidade e sente que a vida e a rotina de outra mãe é mais fácil e mais leve do que a sua?
Garanto a você que todos esses sentimentos assombram a vida das mães que diariamente culpam-se pela rotina, muitas vezes exaustiva, do dia a dia. Mas o que importa é não deixar que esses sentimentos transformem-se nos monstros da culpa.
Sim, nós mães criamos alguns monstros que ficam guardados para que ninguém os vejam. São os NOSSOS monstros, criados a partir dos nossos medos, fragilidades e culpas. Sentimos vergonha de expor esses pensamentos e não compartilhamos com ninguém o que nos atormenta.
E sabe por que? Porque nos  foi ensinado que o sentimento de mãe e filho é nobre e nunca se abala, é sentimento elevado, divino e nada e nenhum pecado é capaz de tocá-lo e alterá-lo. Foi assim que aprendemos ao longo da vida: Mãe é perfeita.
Mas a descoberta de que alguns e muitos sentimentos não nobres começam a fazer parte da nossa rotina de mãe nos assustam e disfarçadamente jogamos tais sentimentos para debaixo do tapete e escondemos de nós mesmas que um dia sentimos algo como:
“Me arrependi de ser mãe.”
“Se eu bater nele agora eu vou aliviar a minha raiva.”
“Eu não estou gostando de ser mãe.”
“Eu queria fugir e nunca mais voltar.”
“Eu queria um dia só para mim e esquecer que tenho filhos e família.”
Identificou-se com alguma dessas frases? Acredito que sim, pois elas são reais. Escritas por mães que em muitos momentos de fragilidade, cansaço e exaustão permitiram-se não ser perfeitas e jogaram para o alto o sonho da maternidade inabalável e divina.
Relaxe, fica tranquila porque o que importa é você não se comprometer com esses sentimentos, pois eles não fazem parte de você. São frutos de momentos de estresse e de cansaço, onde somos colocadas à prova com os nossos limites. Não faça pactos com eles! Não deixe que eles te dominem e definam a sua personalidade como mãe. Você é muito mais do que essas frações de sentimentos e momentos que nos tiram do eixo e nos fazem acreditar que somos pessoas terríveis. Lembre-se: esses sentimentos não definem o que você é! Perdoe-se!
Traga leveza para a sua maternidade e deixe que tudo seja um lindo processo de aprendizado e reconhecimento. Aprenda com eles e aprofunde-se em si mesma! Essa é a beleza que envolve o mundo materno, pois a maternidade é uma incrível oportunidade para iniciar um lindo processo de autoconhecimento e evolução pessoal. Faça das suas sombras a sua melhor amiga, pois é ela que aponta para o centro do seu EU maior.